A pesquisa destaca a ausência de informações sobre a atuação da odontopediatria nos chamados Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), uma vez que ela não consta no rol de especialidades obrigatórias, mas os gestores de saúde podem incluí-la voluntariamente em seus municípios. O atendimento nos CEOs ocorre com encaminhamento das equipes de saúde bucal das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
“Embora a cárie dentária não seja a única preocupação em relação à saúde bucal infantil, ela é um problema relevante de Saúde Pública no Brasil, cujos resultados evidenciam a necessidade de avaliar o desempenho das políticas e serviços de saúde pública para o atendimento odontológico infantil”, afirmam os autores do estudo.
Para além das disparidades por região do Brasil, os pesquisadores destacam a importância da figura do odontopediatra na assistência odontológica especializada para crianças no SUS.
De acordo com a análise, em 2008 havia 1.343 profissionais da odontopediatria cadastrados em estabelecimentos de saúde que atendem ao SUS. O maior número foi em agosto de 2010, com 1.745 odontopediatras, mas caiu em 2022 para 1.595.
“A necessidade de incluir a Odontopediatria no rol de especialidades obrigatórias, entre outras perspectivas, considera as disparidades macrorregionais no acesso aos serviços de saúde bucal, permitindo a produção de indicadores relacionados a essa especialidade e à atenção odontológica especializada para crianças”, alertam os autores.
“As disparidades iniciam-se nos serviços de Atenção Primária à Saúde, quando a cobertura e a resolutividade insatisfatórias resultam no encaminhamento de crianças para serviços mais complexos”, concluem.
O artigo Macro-Regional Disparities in Specialized Dental Care for Children in the Brazilian Unified Health System: An Ecological Study está disponível on0line e pode ser lido neste link.
Fonte: Jornal da USP (Texto: Tabita Said)